segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Níveis negativos de maturidade em gerenciamento de projetos

Em um dia destes, ouvindo um podcast americano sobre gerenciamento de projetos, o autor abordou o assunto de que “para muitas organizações e PMOs, o ponto chave para avançar em qualquer tipo de maturidade seria ter um bom entendimento e compreensão do ponto inicial de partida, mas que não se deveria assumir que o ponto inicial real está de fato no quadrante um”, e desta forma ele apresentada a idéia de “níveis negativos de maturidade em gerenciamento de projetos”[1]. Tal assunto me chamou a atenção e gostaria de trazê-lo à tona. A proposta do autor é de que além dos cinco tradicionais níveis de maturidade “positivos”, existiriam ainda cinco níveis negativos:
-1: o nível daquele que se recusa a lutar
-2: o nível daquele que se adapta mal ao novo ambiente
-3: o nível do sabotador
-4: o nível daquele que se desvia das normas
-5: o nível do terrorista


Entretanto, em pesquisa realizada para verificar se tal assunto estava sendo tratado na literatura ou já sendo praticado e reportado por alguma organização, o resultado não foi positivo e todas as referências apontavam para os respectivos podcasts.

Desta forma, diante do resultado, algumas questões me vieram à mente:
- Serão estes níveis negativos uma tendência de expansão do atual modelo de maturidade?
- A utilização de uma escala negativa de maturidade seria algo realmente adotado pelas organizações?


Assim sendo, sem a pretensão de ter a resposta definitiva para estas questões, mas à luz do resultado da pesquisa, da visão particular vivenciada sobre a prática de gerenciamento de projetos nas organizações e das freqüentes leituras, entendo que esta será uma proposta de difícil aceitação pelas organizações, que com seus perfis competitivos e em vários casos pouco maduras em termos de autoconhecimento, não irão adotar ou assumir que estão em um nível negativo de maturidade, quando seu concorrente adota somente a escala positiva. Senão por uma efetiva mudança dos modelos de maturidade, acredito que somente organizações altamente comprometidas com seu desenvolvimento interno e seu autoconhecimento poderão utilizar tais escalas negativas, internamente, em busca de seu crescimento. Por outro lado, a carência de referências na literatura sobre o assunto dificulta o entendimento e a implantação prática de tal proposta.

Enfim, esta proposta de níveis negativos de maturidade em gerenciamento de projetos, senão algo inovador ao atual modelo e de aplicação futura, poderia ser uma crítica às organizações que efetivamente com pouca ou nenhuma prática na área de gerenciamento de projetos já se colocam no mesmo patamar de outras com maior prática, entretanto sem condições ainda de passar para o próximo nível.

Os referidos podcasts que abordam o assunto podem ser acessados em http://www.thepmopodcast.com/.

[1] BOT International. The PMO Podcast Points Memo. The PMO Podcast. 5 Podcast. Episódio 171, 172, 173, 174 e 175. Disponível em .