quinta-feira, 13 de junho de 2013

Comentários sobre o webminar de Boas Práticas em Avaliações de Risco de Projetos - 10 erros principais


Estes é mais um daqueles posts em que eu gostaria de compartilhar meus comentários sobre o trabalho publicado ou apresentado por alguém. Mais uma vez, o assunto é Gerenciamento de Riscos e o trabalho foi um webinar gravado, promovido pela Project Risk Management Community of Practice do PMI[1], apresentado pelo Joe Lukas e chamado "Best Practices in Project Risk Assessments"[2][3].

Desta forma, gostaria de começar os meus destaques da apresentação do Joe Lukas pela abordagem adotada, onde o autor organizou uma lista do que ele entende ser os 10 erros principais em gerenciamento de riscos e conduziu a partir daí, explorando cada um dos erros enumerados[4].

#1 Não considerar oportunidade - somente ameaças
#2 Confundir causas do risco, evento do risco e impactos
#3 Usar 'checklist' e não "varrer o horizonte" para outros riscos
#4 Subestimar impactos do risco, e não dimensionar os impactos baseado nos direcionadores do projeto
#5 Não utilizar a probabilidade de 100% durante o planejamento
#6 Não considerar Análise de Sensibilidade com a Análise de Riscos
#7 Chamar o plano de resposta ao risco de "mitigação"
#8 Não considerar planos de contingência junto com os planos de resposta
#9 Não tornar os membros da equipe de projeto responsáveis por riscos específicos
#10 Não fazer do gerenciamento de riscos um processo contínuo

Assim, destaco em seguida o erro #2 Confundir causas do risco, evento do risco e impactos, que compartilho com autor ser este um erro comum. Aqui, ele pontua a "necessidade de manter uma clara separação entre causas, eventos de risco e impactos", mas como explicado em um dos slides, entendo que, algumas vezes, a causa do risco e o evento do risco podem trocar de posição, dependendo da referência tomada (ponto de vista). Todavia, recomendo a utilização da sentença proposta pelo David Hillson e reproduzida pelo apresentador, conforme a seguir: "Devido a [causa], [evento de risco]  pode ocorrer, resultando em [impacto]". Adicionalmente, é interessante também a ferramenta que o Joe representa no slide 18, e que ele diz utilizar com folha de papel e post-it.

Sobre o destaque em relação ao erro #3 Usar 'checklist' e não "varrer o horizonte" para outros riscos, minha complementação ao que o autor expôs é somente de que existem outras técnicas, além do Brainstorming, que são técnicas de geração de ideias em grupo, tais como a Técnica Delphi e a Técnica de Grupo Nominal. Assim, para quem interessar, tenho um artigo publicado sobre técnicas de identificação de risco e que lista uma série delas - Aplicação das Técnicas de Identificação de Risco em Empreendimentos de E&P.

O próximo destaque é sobre o erro #5 Não utilizar a probabilidade de 100% durante o planejamento e, bem, essa é a primeira vez e a primeira pessoa de quem ouço sobre utilizar, quando se trata de risco, a probabilidade de 100%! Assim, a ideia defendida pelo autor é a de que se pode utilizar a probabilidade de 100% de ocorrência para um risco, mas durante a fase de planejamento, sobre algo que naquele momento é um fato, uma certeza, mas que a equipe do projeto deve tomar ações para reduzir a probabilidade a menos de 100% e poder incorporar isto no plano de projeto. A minha interpretação para a ideia do autor é a de que uma situação certa, no momento do planejamento, ainda que possua ações sobre ela, estas não irão conseguir eliminar esta situação, e assim ela continuará existindo ao longo do projeto, mas com menor probabilidade. Eu respeito a ideia do autor, todavia, não compartilho dela. Desta forma, meu entendimento continua sendo de que algo com 100% de certeza não é risco, é um problema ou uma questão que precisa ser tratada, mas nada de risco. Achei que este ponto seria de grande polêmica no chat do evento, mas gerou poucas postagens, entretanto, se fosse em um evento presencial acho que iria gerar grande burburinho na sala. O David Hillson ("The Risk Doctor") estava assistindo e postou ao início desta ideia - "#5 - very interesting!!! Controversial!!!!".

Assim, passando ao seguinte, o erro #6 Não considerar Análise de Sensibilidade com a Análise de Riscos, o meu comentário é bem parecido com o que fiz sobre o erro #3, de que a Análise de Sensibilidade é uma dentre várias técnicas disponíveis para a Análise de Risco, mas vou além, pois acho que quando falamos de análise de riscos em projetos, costumamos ser muito limitados e talvez pouco criativos na utilização de outras técnicas, e existem várias outras - tenho também um material de pesquisa sobre técnicas de análise de risco, que utilizei para a minha dissertação de mestrado.

Quase chegando ao fim, destaco também o erro #7 Calling risk response planning 'mitigation, não pelo conteúdo inteiro da explanação, onde o autor não aborda nada diferente sobre todos os tipos de resposta descritos nos materiais publicados, tal como o PMBOK, mas sim pelo alerta de que as pessoas costumam utilizar "plano de mitigação" como sinônimo de "plano de resposta/ação", quando mitigação é somente um dos tipos possíveis de resposta.

Por último, meu comentário vai para o slide de conclusão, onde no segundo item o autor defende que deve ser estabelecido um procedimento de gerenciamento de riscos com modelos para a empresa, ao invés de deixar que cada gerente de projeto invente o seu. Assim, dentro de certos limites, eu concordo com a prática, mas dando alguma liberdade para adaptações dependendo do projeto.

Concluindo, sobre os erros para os quais não fiz algum destaque, é porque achei que seriam ideias já bem conhecidas, mas recomendo para quem tiver a oportunidade, de assistir este webminar na íntegra. A apresentação é muito boa e o conteúdo nos faz pensar criticamente, pois o autor trouxe ideias novas e alertas de pontos que já são conhecidos, mas que não são seguidos.

Notas de Referência:
[1] Tradução livre da autora: Comunidade de Prática em Gerenciamento de Riscos em Projetos
[2] http://risk.vc.pmi.org/Webinars/ViewWebinar.aspx?WebinarAction=View&WebinarExternalKey=f54c0eec-c5d3-4502-b7d9-15a934b4f089
[3] Tradução livre da autora: "Melhores Práticas em Avaliações de Risco de Projetos"
[4] Tradução livre da autora

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