sábado, 5 de junho de 2010

Inovação e Criatividade em Projetos: quebrando paradigmas e desenvolvendo a habilidade de inovação e criatividade através da prática.

É interessante como atualmente tem-se falado com mais frequência sobre inovação e criatividade (não necessariamente nesta ordem). Mas o que será que inovação e criatividade tem a ver com Gerenciamento de Projetos? Bom, para quem já se envolveu com algum projeto ou para quem estuda o tema, já reparou como, com frequência, é preciso "fazer diferente" algo para se alcançar o objetivo do projeto? E neste aspecto, acho que devemos quebrar alguns paradigmas sobre a inovação e criatividade:

1. Inovação e criatividade só se faz, ou é o lugar, das áreas de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D);
2. Inovação envolve somente grandes mudanças;
3. Capacidade de inovar e criatividade não se desenvolve, ou você tem, ou você não tem.

Desta forma, nos dias atuais, de economia globalizada e de informações velozes e facilmente acessíveis, inovar e criar deixou de ser só função dos departamentos de pesquisa, mas muitos de nós ainda acredita nisto, ou melhor, acham que não criam ou não inovam, ou não têm esta função, simplesmente por não serem dos respectivos departamentos de pesquisa. Adicionalmente, junto com esta idéia caminha a crença de que inovar envolve somente grandes mudanças, mas não necessariamente. Um texto lido uma vez tratava em determinado momento exatamente sobre isto, de que é possível inovar com pequenas mudanças, mudanças muitas vezes que fazemos em nosso dia-a-dia. Arrisco-me aqui até a associar estas pequenas mudanças ao conceito de melhoria contínua, martelado na disciplina de gestão da qualidade. E assim, porque ao invés de nos tolirmos se não conseguimos criar grandes soluções ou produtos inovadores, se não somos "gênios inventivos" e não tentamos pequenas mudanças que vislumbramos em nossas atividades e que temos a esperança de que aquilo vá tornar a atividade melhor? É verdade que inovações envolvem riscos, mas porque não assumirmos riscos controlados?

Assim, retornando ao ambiente de um projeto, muitas vezes em determinado momento uma equipe precisa, com uma boa dose de coragem, tentar uma solução inovadora, muitas vezes não experimentada antes, para tentar transpor algum obstáculo do projeto. Lembrando que "projeto algum é exatamente igual a um outro". Da mesma forma, inúmeras são as vezes em que um membro do projeto, durante a sua atividade, inova em sua forma de fazê-la e cria algo que passa a ser a nova forma de fazer de uma determinada ação de rotina.

Por fim, a boa notícia é de que podemos desenvolver uma capacidade de inovação e criatividade, mas é preciso exercitar isto.  Uma pesquisa publicada na Harvard Business Review[1] indicou que 1/3 de nossa capacidade de inovar é em função de nossa genética, mas que 2/3 vem através do aprendizado, que deve ser exercitado. Assim, a pesquisa identificou cinco habilidades que distinguem uma pessoa inovadora:
Associação:  "capacidade de conectar, com êxito, questões, problemas ou idéias de diferentes áreas e aparentemente não relacionadas".
Questionamento: praticam o ato de questionar a situação atual, perguntando-se "Por que?", "Por que não?", "O que acontecerá se?", imaginado uma situação oposta e abraçando restrições.
Observação: praticam o ato de observar os outros ou as situações, em particular os hábitos de clientes em potencial. "Os inovadores praticam intencionalmente, de forma cuidadosa e consistentemente a busca por pequenos detalhes de comportamento".
Experimentação: praticam de forma ativa a experimentação de novas idéias, por meio de protótipos ou testes piloto, e assim constroem experiências interativas e buscam provocar respostas respostas não ortodoxas para ver que idéias afloram.
Rede de contatos: por meio do encontro com pessoas com diferentes idéias e perspectivas, buscam encontrar e testar idéias, assim como aumentar seus próprios domínios de conhecimento e uma perspectiva diferente.

Entretanto, a pesquisa enfatiza que o pensamento 'inovativo' pode ser desenvolvido e reforçado através da prática, do exercício, até o ponto em que isto se torne automático. De forma geral, diversos autores sugerem a reserva de uma parte do dia para praticarmos ações buscando o desenvolvimento da habilidade de inovação e criatividade. Em um ambiente de projetos, esta prática deve ser estimulada pelos líderes em ação, seja por meio de eventos específicos utilizando técnicas de geração de idéias, seja através da colocação de duas pessoas para trabalharem juntas em uma solução, ou de outras formas que estimulem uma atitude de inovação e criação. Todavia, é preciso focar as práticas de inovação e criatividade dentro de um projeto para o atendimento dos objetivos do mesmo, evitando que recursos sejam investidos em propósitos que não atendem aos objetivos do projeto.

REFERÊNCIAS
[1] DYER, J. H.; GREGERSEN, H. B.; CHRISTENSEN, C. M. The Innovator's DNA - Five "discovery skills" separate true innovators from the rest of us. Harvard Business Review, dez. 2009.

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